O esforço pela valorização da CEPLAC significa lutar pela sustentabilidade de uma região e de fatia importante da agropecuária baiana. Apenas uma instituição forte pode exercer o papel de uma agência de desenvolvimento regional.
A CEPLAC (Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira) não é uma instituição exclusiva ao cacau, como aparece no nome, mas sim um órgão que conseguiu implantar na região a diversificação de culturas. Ela foi fundamental para o desenvolvimento da fruticultura, da pecuária, piscicultura, apicultura e até outras atividades agroindústrias.
Cito como exemplo o fato de nosso estado hoje ser o maior produtor de graviola do mundo, com 1500 hectares plantados graças ao papel da CEPLAC.
A pesquisa agropecuária executada ao longo destes anos, aliada à extensão rural, permitiu levar os avanços tecnológicos significativos aos pequenos e médios produtores. Posso afirmar, sem medo de errar, que possuímos o mais importante centro tecnológico de pesquisas cacaueiras e banco de germoplasma do mundo.
Outro ponto que precisa ser destacado é que as regiões cacaueiras ficam inseridas em biomas importantíssimos como a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica. A CEPLAC tem a função de promover a sustentabilidade social, ambiental e econômica destes biomas.
Vivenciamos nos últimos anos a decadência das regiões cacaueiras em todo o Brasil, principalmente pela falta de políticas públicas. Quando estive secretário estadual de Agricultura, percebi bem o quanto o investimento do poder público pode melhorar a vida de agricultores e a economia destes municípios e estados.
É preciso reconhecer que nós, representantes do povo, temos a obrigação de propor soluções. Mas é preciso que essas políticas públicas sejam elaboradas por quem conhece a CEPLAC, e não por quem não sabe quais são os problemas e necessidades do órgão.
Reconheço que a CEPLAC, ao longo dos seus 68 anos, não é feita apenas de acertos. Também existem falhas, fruto, principalmente, do sucateamento vivenciado nos últimos 30 anos. São anos sem concurso público, o que reduziu o quadro de funcionários e praticamente inviabilizou as ações dessa instituição.
Com as dificuldades, em todo o Brasil, de prestação de assistência técnica e pesquisa agropecuária, os agricultores têm ficado órfãos, e neste quadro a recuperação da CEPLAC é imperativa à sobrevivência da economia dos municípios baianos do Baixo-sul, Litoral Sul e Médio Rio de Contas, principalmente com a chegada ao país da monilíase, uma praga que pode causar danos à cultura iguais ou maiores ao da vassoura-de-bruxa.
A decadência da CEPLAC traz efeitos imediatos, que podem ser vistos por todos. Posso garantir que a saída de funcionários capacitados, sem a devida reposição, será responsável pela perda de um grande cabedal de conhecimento sobre as culturas da região. Caso o rejuvenescimento do órgão não ocorra agora, não teremos tempo para começar do zero.
A CEPLAC ainda possui um grande patrimônio material e de servidores qualificados. Agora é hora de transformar essa instituição na agência de desenvolvimento regional que sonhamos. Mas é necessário que o Ministério da Agricultura entenda seu papel de protagonista nesta função.
Por que não pensar em transformar a CEPLAC numa empresa mista? O órgão não pode mais depender de “esmolas” do governo. A CEPLAC precisa receber “dinheiro de fora” para bancar parte deste orçamento. A outra parte dos recursos seriam oriundos do governo, indústria e produtores.
Acredito que o conselho de administração deve ser composto pelo poder público, produtores e toda a região, avançando em um modelo que pode servir de exemplo para o Brasil. ASCOM/DEP.EDUARDOSALLES