Mais de 90 são presos nos EUA por invasão ao Capitólio; FBI pede ajuda para identificar extremistas


Mais de 90 pessoas foram presas nos Estados Unidos pela invasão ao Capitólio por apoiadores do presidente Donald Trump, segundo contagem da agência Associated Press deste sábado (9).

Essas prisões foram feitas desde que o FBI, que é a polícia federal americana, pediu publicamente ajuda sobre os extremistas fotografados dentro da sede do Congresso no ato violento que interrompeu por horas a sessão que confirmou Joe Biden como presidente eleito (leia mais sobre a invasão ao Capitólio no fim da reportagem).

Invasor carrega púlpito da presidente da Câmara dos EUA durante ato no Capitólio. O homem foi preso, informou a imprensa americana neste sábado (9) — Foto: Win McNamee / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Neste sábado (9), o jornal “Miami Herald” informou que foi preso na Flórida o homem fotografado carregando o púlpito de discursos da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi. Ele foi identificado como Adam Christian Johnson, de 36 anos. Dias antes, o homem publicou fotos em Washington com mensagens críticas ao movimento contra o racismo Black Lives Matter.

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Apoiador de Donald Trump posa sentado na cadeira da parlamentar democrata Nancy Pelosi em seu gabinete no Capitólio após invasão — Foto: Saul Loeb/AFP

 

Outro detido é o invasor identificado como Richard Barnett, de 60 anos, visto na sala de Pelosi durante a invasão. Segundo a imprensa americana, ele responderá por invadir e permanecer dentro de áreas restritas do Capitólio, e poderá também responder por apropriação indevida de propriedade pública — um computador da parlamentar foi furtado durante a invasão.

Homem fotografado com chifres também é preso

Manifestante com adereços e rosto pintado grita dentro do edifício do Capitólio após invasão de apoiadores de Donald Trump em Washington — Foto: Win McNamee/Getty Images/AFP

O invasor fotografado com uma vestimenta de pele de urso, rosto pintado e capacete com chifres foi preso neste sábado (9), de acordo com as autoridades federais dos EUA. O homem identificado como Jake Angeli é um ativista de extrema direita conhecido apoiador do movimento Qanon, uma teoria da conspiração completamente infundada

Angeli se proclama um “xamã” do grupo QAnon, que espalha teorias da conspiração sem fundamento pelas redes americanas e que apoiou Trump durante a campanha de 2020. O presidente, inclusive, se negou a rejeitar o apoio dessas pessoas.

Segundo a 12 News, o invasor entrou com uma campanha de arrecadação virtual no ano passado para ajudá-lo a viajar a Washington em dezembro para uma das várias marchas de apoiadores de Trump que se recusam a admitir a derrota eleitoral. Ele só conseguiu US$ 10, e o site GoFundMe tirou a campanha do ar.

Empresas demitem invasores

Invasor no canto direito da imagem foi fotografado na quarta-feira (6) portando um crachá da empresa em que trabalhava. Ele foi demitido. — Foto: Manuel Balce Ceneta/AP Photo

Um dos extremistas fotografados no Capitólio foi demitido pela empresa onde trabalhava após ser identificado pelo crachá que portava durante a invasão. Em nota, a companhia de marketing Navistar, de Maryland, afirmou que despediria outros funcionários que fossem flagrados na mesma situação. O nome do invasor não foi revelado.

Na mesma linha, a empresa de análise de dados Cogensia demitiu Bradley Rukstales — que era justamente o diretor da companhia. Ele foi preso pela invasão ao Capitólio. Em nota, o novo gestor disse que a decisão foi tomada porque atitude de Rukstales “foi inconsistente com os valores centrais da Cogensia”.