Mais de 2 mil fetos humanos achados em casa de médico são enterrados nos EUA


O procurador-geral de Indiana, Curtis Hill, fala durante o enterro em massa de mais de 2 mil fetos humanos em South Bend, Indiana, na quarta-feira (12). — Foto: Robert Franklin/South Bend Tribune via AP

O procurador-geral de Indiana, Curtis Hill, fala durante o enterro em massa de mais de 2 mil fetos humanos em South Bend, Indiana, na quarta-feira (12). — Foto: Robert Franklin/South Bend Tribune via AP

O médico Ulrich Klopfer, que morreu em setembro do ano passado, fez abortos por décadas em Indiana. Poucos dias após sua morte, 2.246 fetos humanos foram encontrados preservados em sua casa, em Crete, a cerca de 55 km de Chicago, em Illinois. Depois, outros 165 foram achados na mala de um carro em um escritório onde o médico mantinha vários veículos.

O enterro foi organizado pelo procurador-geral de Indiana, Curtis Hill, em um cemitério na cidade de South Bend.

O procurador-geral de Indiana, Curtis Hill, fala durante o enterro em massa de mais de 2 mil fetos humanos em South Bend, Indiana, na quarta-feira (12). — Foto: (Robert Franklin/South Bend Tribune via AP

O procurador-geral de Indiana, Curtis Hill, fala durante o enterro em massa de mais de 2 mil fetos humanos em South Bend, Indiana, na quarta-feira (12). — Foto: (Robert Franklin/South Bend Tribune via AP

“Hoje, finalmente celebramos os 2.411 bebês não nascidos cujos restos foram, sem razão, guardados pelo Dr. Ulrich Klopfer depois que ele realizou os abortos de 2000 a 2003”, disse Hill no enterro. “Esses bebês mereciam mais do que uma garagem escura e fria ou o porta-malas de um carro”.

Os investigadores do caso não explicaram como ficou determinado que os restos fetais eram do início dos anos 2000, segundo a rede CNN. G1

Hill, que é republicano, busca um segundo mandato como procurador-geral, e vem destacando, durante a campanha, sua defesa das leis que aumentam as restrições ao aborto no estado (veja detalhes mais abaixo na reportagem). Ele enfrenta acusações de assédio a uma parlamentar local e outras três mulheres em um bar, na cidade de Indianápolis, em 2018, e ainda aguarda uma decisão da Suprema Corte de Indiana sobre o caso.

Estar nos holofotes durante o enterro poderia ajudar o procurador-geral a conseguir apoio entre conservadores, disse a Associated Press.

“Estou tão grata que, finalmente, os corpos desses meninos e meninas serão tratados com a dignidade que mereciam”, disse Cathie Humbarger, que chefia a organização Right to Life (“Direito à Vida”, em português) no nordeste de Indiana.

Mais de 2 mil fetos humanos achados em casa de médico são enterrados nos EUA

Leis antiaborto

Manifestantes pró e contra o direito ao aborto fazem manifestação em frente à Suprema Corte em Washington, nos Estados Unidos, em janeiro de 2019. — Foto: Saul Loeb/AFP

Manifestantes pró e contra o direito ao aborto fazem manifestação em frente à Suprema Corte em Washington, nos Estados Unidos, em janeiro de 2019. — Foto: Saul Loeb/AFP

O aborto é permitido em todos os 50 estados americanos desde 1973, mas vários deles vêm aprovando medidas ou leis para tentar restringir o acesso ao procedimento — incluindo Indiana.

Em 2016, por exemplo, o então governador Mike Pence — hoje vice-presidente dos EUA — sancionou uma lei que vetava o aborto por justificativas como raça, sexo, ou deficiências do feto. O texto foi derrubado pela Suprema Corte americana, mas outra parte dele, que exigia um enterro ou uma cremação de restos fetais depois de um aborto, foi mantida.

O médico Ulrich Klopfer, que morreu no dia 3 de setembro. Ele fazia abortos em uma clínica em South Bend, no estado de Indiana, Meio-Oeste dos Estados Unidos. — Foto: South Bend Tribune via APO médico Ulrich Klopfer, que morreu no dia 3 de setembro. Ele fazia abortos em uma clínica em South Bend, no estado de Indiana, Meio-Oeste dos Estados Unidos. — Foto: South Bend Tribune via AP

O médico Ulrich Klopfer, que morreu no dia 3 de setembro. Ele fazia abortos em uma clínica em South Bend, no estado de Indiana, Meio-Oeste dos Estados Unidos. — Foto: South Bend Tribune via AP

No caso do médico Ulrich Klopfer, quando os fetos foram encontrados na casa dele, estavam dentro dentro de sacos plásticos pequenos e fechados que continham produtos químicos para preservar material biológico.

Além das regras sobre descarte de restos fetais, Klopfer também não seguiu as leis do estado sobre preenchimento de documentos, disseram as autoridades. Não foram encontradas provas de que o médico realizava procedimentos em sua casa.