Pesquisa investiga impacto do consumo de álcool em universitários


Inúmeras descobertas e um leque de possibilidades marcam a chegada dos estudantes à universidade.  Pensando nisso, a professora Elce Cristina Rebouças, do Departamento de Ciências Naturais (DCN), campus de Vitória da Conquista, vem coordenando um projeto de pesquisa intitulado “Impacto do consumo de bebidas alcoólicas no comportamento alimentar e no peso corporal de estudantes universitários”.

Os resultados da primeira parte do estudo demonstraram que o ambiente universitário exerce influência no consumo de bebidas alcoólicas, e essa influência aumenta com a permanência na universidade. Ficou confirmado também, a partir dos dados coletados, que há prejuízos no desempenho acadêmico desses estudantes.

Dados que evidenciam as consequências da ingestão precoce de álcool são a base da pesquisa. Em todas as regiões do mundo, essa é a principal causa de morte de jovens entre 15 e 24 anos, segundo o Guia Prático de Orientação sobre o impacto das bebidas alcoólicas para a saúde da criança e do adolescente, lançado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em 2017. www2.uesb.br

 

Informações disponíveis no documento também ressaltam que a exposição excessiva ao álcool pode dar brecha a déficit de memória, perda no desenvolvimento de habilidades, entre outros. Analisando esse cenário, a pesquisa, que está sendo desenvolvida em parceria com discentes do curso de Ciências Biológicas, objetiva nortear medidas preventivas, de modo a evitar o consumo excessivo de álcool por parte dos estudantes.

Conscientização – A pesquisa contou com a participação de 429 estudantes, dos 22 cursos de graduação oferecidos no campus de Vitória da Conquista, sendo 220 do 2º semestre e 209 a partir do 5º semestre. “Tem o consumo de bebida alcoólica esporádico e temos aquele consumo que, para a mulher, quatro doses em menos de duas horas é considerado um consumo de risco e, para o homem, um consumo de cinco a mais. A gente verificou que há universitários no campus de Conquista com esse comportamento”, alertou a coordenadora da pesquisa.

A docente ressaltou ainda que, a partir desse estudo, pode surgir um projeto de extensão, também com propósito preventivo, que chegue à comunidade. “A gente entendeu, até pelas falas das pessoas, uma alta conscientização do problema. Essa pessoa sabe os riscos que ela corre. É importante entrar com ações de sensibilização. A gente quer desenvolver um projeto de extensão para chegar ao aluno do ensino médio, do fundamental dois, e aos pais. Muito mais do que proibir, os pais têm que conhecer a gênese do problema”, explica.

Os próximos passos da pesquisa devem verificar o impacto do álcool no comportamento alimentar desses estudantes, e se há um aumento de peso por alguns grupos que têm preferência por bebidas destiladas, como vodka, ou fermentadas, como cerveja.

Professora Elce Cristina, no Laboratório de Anatomia Humana, campus de Vitória da Conquista.